• Cuiabá, 19 de Janeiro - 00:00:00

Que Mato Grosso queremos?

Onofre Ribeiro Onofre Ribeiro

Moro em Mato Grosso desde agosto de 1976. Era um estado que vivia do sonho de um futuro possível, mas que naquele momento era só sonho mesmo. Tudo era difícil, população de 600 mil habitantes, na região Norte, e produção irrelevante. Contudo, havia um sonho poderoso. Tanto, que o governador de então, José Garcia Neto, tinha como slogan de seu governo “Mato Grosso, Estado Solução”. A separação do Sul em 1977 pra criar o Mato Grosso do Sul pareceu no primeiro momento que o Norte restante cairia na mais profunda miséria. Ocorreu o contrário. Melhor. O velho sonho mato-grossense realizou-se muito além do “Estado Solução” de Garcia Neto.

 

Muito bem. Estamos no presente. Mas e o futuro?

 

Depende profundamente de macro-planejamento que não existe. Tem havido discussões dentro do governo de Mato Grosso, mas muito incipientes e modestas frente aos desafios cada dia mais próximos. As entidades privadas de representação produtiva, tem trabalhado melhor, não no planejamento. Discutem os problemas atuais e os futuros, mas não planejam. O governo federal que no tempo de Garcia Neto tinha um excelente planejamento de futuro pro Centro-Oeste e pra Amazônia, hoje não tem as mínimas condições de planejar nada e também não tem esse tipo de interesse.

 

Mas que futuro é esse? A logística de Mato Grosso é complicadíssima hoje e vai piorar muito no futuro próximo. Em dez anos a produção geral vai praticamente dobrar e não tem mais como escoar. Poderia industrializar pra agregara valor e aliviar o transporte. Esse planejamento não existe claro. Ferrovias são discussões de grupos e não de Estado. As hidrovias e as rodovias também. A ligação regional com os países da costa Oeste, Bolívia, Paraguai, Peru e Chile já foi um assunto quente. Hoje é morno e se perdeu a cultura de discuti-lo.

 

Como será a relação de Mato Grosso com a China, nosso maior comprador de soja e milho e daqui a pouco de carnes também? Existe a ferrovia bioceânica planejada, em fase de projeto. Vai alterar profundamente a geopolítica de Mato Grosso. Cadê os estudos e o planejamento de Estado? Não tem! Ela vai do Atlântico ao Pacífico, corta Mato Grosso Leste-Oeste e vai dar no Peru. Silêncio de planos sobre ela. Ou sobre as outras.

 

O que há concretamente é um futuro galopante à frente e o planejamento desfocado. Penso que o futuro será maior do que toda a nossa geração. Logo, precisa ser encarado como tal pelo governo e pelo setor privado.



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